Sob a consultoria do diretor criativo Ricardo Gaioso, a Mestre Artesão arma evolução para 2025.
Esqueça a ideia de Zeitgeist — termo alemão que significa “espírito do tempo” —, que guiou a visão sobre tendências na moda, no design, no comportamento e em outras esferas nos últimos anos. Segundo o diretor criativo Ricardo Gaioso, jornalista e consultor especializado em design, a palavra da vez é Weltgeist, que se refere à energia do mundo.
“É hora de olhar para o que está acontecendo em todo o globo. É importante trabalhar esse olhar macro, enxergar as diferenças culturais e unir fronteiras”, explica.
É nesse tom que, em meio à celebração de 17 anos de indústria, a Mestre Artesão opera sob uma nova perspectiva a partir deste ano.
A marca foi criada pelo paranaense Júlio Amarante. Formado em Direito, ele atuava no agronegócio em uma empresa familiar, mas desejava ter um negócio próprio.
“A região de Londrina faz parte de um polo moveleiro, e Cambé era um lugar com muitas fábricas de área externa, mas pequenas e tradicionais”, conta. Naquele momento, avalia ele, o mercado era reduzido, com produtos voltados para áreas de piscina — como mesas, cadeiras e espreguiçadeiras. Foi daí que surgiu a ideia para a nova empresa.
“Montei a Mestre Artesão entre 2008 e 2009 e comecei vendendo para o mercado local. No início de 2010, tivemos a oportunidade de participar da primeira feira focada em lojistas e, a partir daí, começamos a expansão.”
No mesmo ano, Júlio conheceu sua então namorada (e atual esposa), Paula Forbeck, advogada. Com pai engenheiro e mãe empresária — à frente de uma vidraçaria especializada em projetos arquitetônicos —, Paula sempre teve faro para a decoração.
A Mestre Artesão evoluiu com o olhar que ela trouxe para a marca e, em 2011, lançou sua primeira linha assinada pelo arquiteto Fabricio Ronca.
“Desde então, todos os anos tivemos linhas assinadas por diferentes designers. No ano seguinte, Paula começou a trabalhar comigo na fábrica e passamos a participar de uma feira maior, a Abup Móvel, o que solidificou ainda mais as vendas para lojistas.”
Era de Consagração
Para alcançar um lugar ao sol em um mercado tão específico quanto o de mobiliário externo, a Mestre Artesão se baseou em eixos importantes: a escolha meticulosa de materiais, a curadoria de fornecedores, o design atemporal e a expertise no tramado — elemento que dá nome à marca.
“As tramas dos produtos são tecidas uma a uma no próprio produto. É realmente um artesanato”, diz Júlio. Ricardo faz coro: “É onde a mágica acontece”.
A partir dessas tramas — feitas de tecidos como corda e fita náutica — cadeiras, pufes, espreguiçadeiras, sofás e outros móveis ganham forma. O desenvolvimento de tecidos resistentes à água, mas que ainda sejam confortáveis e estéticos, é uma meta constante da marca.
“Sem dúvida, nosso maior desafio é equilibrar a manualidade com a necessidade de produção em escala para atender todo o mercado nacional e internacional. Além de toda essa manufatura, nosso cliente pode customizar como preferir, o que torna cada produto exclusivo”, conta Júlio.
Agora, o momento é de refinar ainda mais essas características.
“A pandemia foi um divisor de águas para o mercado de decoração. As pessoas passaram a valorizar ainda mais suas casas, o ar livre e os momentos entre amigos e família. Isso fez com que os móveis de área externa entrassem na casa das pessoas, tornando-se itens de relaxamento, convívio e conexão”, avalia Júlio.
Esse movimento inspirou a inauguração de uma nova era para a marca.
Na prática, os móveis terão um upgrade na escolha de materiais, tornando-os ainda mais resistentes à ação do tempo e cada vez mais sofisticados esteticamente. Além disso, a marca irá recrutar novos designers que “compartilham a filosofia da Mestre Artesão e têm amplo entendimento de matérias-primas mais tecnológicas”, conta Gaioso.
“Com a intermediação de um diretor criativo, será mais fácil aplicar a identidade de cada designer, traduzida pelo branding da marca. A meta é ter coleções feitas a quatro mãos, que equilibrem essas características”, explica.
“Afinal, as marcas se humanizam por meio dos designers, enquanto os designers deixam a sua marca.”
O impacto dessa transformação já começa a ser percebido nos canais de comunicação da marca e na Abimad, em fevereiro. E se fortalece ainda mais com a participação da Mestre Artesão no Fuori Salone de Milão — o evento mais importante de design do mundo —, na Itália, em abril.